quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O cão - parte 2

Chegámos a casa e chamámos, como habitualmente.
Chamámos, chamámos e chamámos.
Nada.
Começámos a procurar pela casa.
Nada.
Finalmente, começámos a ouvir um pequeno latir.
Parecia vir de uma pequena formiga e não do nosso grande cachorrinho.
Estranho.
Lá estava o Tripas!
Mas mais pequeno...


Mesmo, mas mesmo, minúsculo...
Não parava de encolher.
Cada vez mais...


Pequeno.

Acontece...

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O alpinista


Olhámos pela janela e lá estava ele.

"-Posso tirar-lhe uma foto?
- Sim! Se quiser promover a empresa...
- Pois. No meu tempo estendia-se a roupa de outra maneira...
- Hahaha"

Esperemos que desta vez os azulejos não voltem a cair!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Uma família mesmo muito moderna


O irmão no Chile.
O pai no Paquistão.
E nós... p'aquistamos!

O irmão ia lanchar.
O pai estava a dormir.
E nós... a jantar.

O irmão a arquitetar.
O pai a engenheirar.
E nós... a poetar!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

L'amour, toujours l'amour!



Eram duas da tarde e uma pizza a fumegar no prato.
Mesmo à nossa frente, parou um Nissan Datsun Deluxe Coupe , matricula TR-96-15,  volante à direita, mala do carro dupla, e um casal de velhinhos.
Parecia uma miniatura, um brinde saído de uma lata de Ovomaltine.
Estacionaram...e lentamente, adormeceram.
Os transeuntes paravam a olhar para aquele objeto de museu. Uma relíquia.
Passado cerca de dez minutos, o homem, abre a porta do carro, segura-se ao volante, roda o corpo pesado, põe as pernas fora do carro, e lentamente, muito lentamente, consegue vencer a gravidade e erguer com orgulho, o peso da sua existência. Dirige-se muito devagar, para a porta da sua acompanhante. Abre-a, estende a mão à sua mulher, e com uma lentidão imensa, aguarda que ela também consiga erguer o seu corpo para fora do veiculo. De seguida, retira as muletas da mala do carro e dá-as à mulher. Fecha as duas portas com o cuidado de quem guarda um tesouro. Finalmente, começam a caminhar. E nesse momento, nesse preciso momento, caminham com a dignidade de uma juventude inquieta e revolta, e quase nos fazem acreditar que são um casal de namorados que acabaram de comprar aquele carro e que nós, nós é que estamos fora do tempo e não pertencemos àquela história. 
A seguir... pedimos um café.